Como fazer uma auditoria interna de SST na empresa?

A auditoria interna de SST confere se o PGR acontece na prática. Veja o que a NR-1 exige no acompanhamento das medidas de prevenção, como planejar a auditoria, o que verificar e como corrigir as falhas.

A auditoria interna de SST é uma verificação planejada, feita pela própria empresa, para conferir se o que está no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e nos demais documentos de segurança e saúde no trabalho (SST) acontece de fato na operação. A NR-1 não usa a palavra auditoria, mas exige acompanhar de forma planejada o desempenho das medidas de prevenção e adotar medidas para avaliar e melhorar o desempenho em SST. Para fazer, defina escopo e critérios, use um roteiro com evidências, registre as não conformidades e leve as correções para o plano de ação.

Pontos principais

  • O item 1.5.5.3.2 da NR-1 pede acompanhamento planejado das medidas de prevenção, com verificação das ações, inspeções, monitoramento das exposições e participação dos trabalhadores e da CIPA.
  • A auditoria interna compara documento e prática e gera evidências, não apenas impressões.
  • Cada não conformidade vira ação com responsável, prazo e forma de verificação no plano de ação do PGR.
  • Empresas com certificação em sistema de gestão de SST podem revisar a avaliação de riscos em até 3 anos, em vez de 2.

O que a NR-1 pede e onde a auditoria entra

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) organiza o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e determina, no item 1.5.3.4, que a organização adote as medidas necessárias para avaliar e melhorar o desempenho em SST. O item 1.5.5.3.2 detalha como acompanhar as medidas de prevenção. Esse acompanhamento deve ser planejado e incluir:

  • a verificação da execução das ações planejadas e da continuidade de sua aplicação;
  • as inspeções dos locais e equipamentos de trabalho;
  • o monitoramento das condições ambientais e das exposições a agentes nocivos, quando aplicável;
  • a participação dos trabalhadores e da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), quando houver.

Quando os dados mostram que uma medida não funciona, a norma manda corrigi-la (item 1.5.5.3.2.1). A auditoria interna é a forma mais organizada de produzir esses dados e provar que o acompanhamento aconteceu. Ela também ajuda a cumprir o item 1.5.5.2.2, que exige cronograma com responsáveis, formas de acompanhamento e aferição de resultados para cada medida do PGR.

Auditoria, inspeção e auditoria externa: qual a diferença?

Comparativo entre as formas de verificação em SST
TipoFocoQuem fazResultado
Inspeção de segurançaCondições do local, máquinas e comportamentos em um momentoTécnico, supervisor ou CIPALista de desvios para correção imediata
Auditoria internaSe o sistema de SST funciona: documentos, registros e práticaEquipe interna independente da área ou consultoria contratadaRelatório com não conformidades e plano de correção
Auditoria externaRequisitos de um cliente ou de uma norma de certificaçãoCliente ou organismo certificadorAprovação, pendências ou manutenção do certificado

A norma ABNT NBR ISO 45001, que trata de sistemas de gestão de SST, dedica a seção 9.2 à auditoria interna e ao programa de auditoria, e a 9.3 à análise crítica pela direção. Segundo a ISO, a versão de 2018 está em revisão, com nova edição prevista como ISO 45001:2027.

Como planejar a auditoria interna de SST

  1. Defina escopo e critérios. Escolha unidades e setores e liste o que será cobrado: NR-1, NRs aplicáveis à atividade, procedimentos internos e exigências de clientes.
  2. Escolha auditores independentes. Quem audita não deve avaliar o próprio trabalho. Pode ser alguém treinado de outra área ou uma consultoria.
  3. Monte um cronograma por risco. Setores com riscos mais altos, mudanças recentes ou acidentes recebem auditorias mais frequentes.
  4. Prepare o roteiro. Use perguntas objetivas ligadas à norma, com a evidência esperada.
  5. Execute em três frentes. Análise de documentos, observação no local e conversa com trabalhadores e líderes.
  6. Registre com evidência. Classifique cada constatação como conforme, não conforme ou oportunidade de melhoria, com foto, documento ou relato.
  7. Feche o ciclo. Entregue o relatório, inclua as correções no plano de ação e volte para conferir se funcionaram.

O que verificar: roteiro com evidências

Itens mínimos do roteiro e a evidência que o auditor deve pedir
ItemO que conferirEvidência
Inventário de riscosCobre todos os setores e atividades e está atualizadoDocumento datado e assinado e histórico de revisões, que a NR-1 manda guardar por no mínimo 20 anos
Plano de açãoAções com responsável, prazo e forma de acompanhamentoCronograma e registros de implementação
Medidas em campoProteções, sinalização e EPI correspondem ao previstoObservação no local, fotos e fichas de EPI
TreinamentosCertificados com conteúdo, carga horária, data, local e instrutoresCertificados e cópias arquivadas
EmergênciasSimulados feitos na periodicidade definida no procedimentoRegistros dos exercícios simulados
ParticipaçãoConsulta aos trabalhadores e atuação da CIPAAtas, registros de percepção de riscos e comunicados
TerceirosMedidas para contratadas que atuam na empresaInventário e plano de ação das contratadas ou PGR estendido

A NR-5 reforça o papel da CIPA: entre suas atribuições estão acompanhar a identificação de perigos e a avaliação de riscos e verificar os ambientes e as condições de trabalho. Convidar membros da comissão para a auditoria amplia a visão.

Como tratar as não conformidades

Uma auditoria só gera resultado quando as falhas encontradas viram ação. Para cada não conformidade, busque a causa, e não só o sintoma: EPI fora de uso pode indicar treinamento fraco ou equipamento desconfortável. Registre a correção no plano de ação com responsável e prazo, comunique as mudanças aos trabalhadores e marque a data de verificação da eficácia. Pendências abertas e prazo médio de fechamento podem entrar nos indicadores de SST.

Em Gravataí e em outras cidades da Região Metropolitana com muitos fornecedores industriais, a auditoria interna também serve de ensaio para as auditorias de clientes. A consultoria em SST pode apoiar a montagem do roteiro e a primeira rodada.

Perguntas frequentes

A auditoria interna de SST é obrigatória?

Não com esse nome. A NR-1 exige acompanhar de forma planejada o desempenho das medidas de prevenção e registrar a implementação e os ajustes, e a auditoria interna é um meio prático de cumprir isso. Na ISO 45001 e em contratos de clientes com esse requisito, ela é obrigatória.

Com que frequência fazer a auditoria?

A NR-1 não fixa um prazo para auditorias. Como referência, vale auditar todas as áreas ao menos uma vez por ano, com frequência maior nos setores de maior risco, e programar uma rodada antes da revisão da avaliação de riscos, que a norma prevê a cada dois anos ou quando houver mudanças, acidentes ou novos requisitos legais.

Quem pode fazer a auditoria interna?

Profissionais da empresa que conheçam as normas e não respondam pela área auditada, ou uma consultoria externa. Membros da CIPA podem participar.

Ter certificação ISO 45001 dispensa o PGR?

Não. A NR-1 permite que o gerenciamento de riscos seja atendido por sistemas de gestão, desde que cumpram as exigências da norma e da legislação de SST. A vantagem prevista é que, com certificação em sistema de gestão de SST, a revisão da avaliação de riscos pode ocorrer em até 3 anos.

Fontes consultadas

  1. NR-1 — Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais (texto atualizado) — Ministério do Trabalho e Emprego
  2. NR-5 — Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA) — Ministério do Trabalho e Emprego
  3. ISO 45001:2018 — Occupational health and safety management systems — International Organization for Standardization (ISO)

Conteúdo produzido pela Olivia Scorzo com apoio de ferramentas de inteligência artificial, a partir das fontes citadas e conforme a Política Editorial. O texto é informativo e não substitui a avaliação técnica do seu caso. Encontrou algo a corrigir? Escreva para comercial@assessoriags.com.

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